Câncer na infância: educação, vigilância e acesso salvam vidas
- Dr. Maurílio Jorge Cruz Jr.

- 11 de nov. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: há 5 dias
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) reforça um alerta preocupante: o câncer é hoje a principal causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos no Brasil. Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, a desigualdade regional ainda determina drasticamente as chances de sobrevivência.
Enquanto nas regiões Sul e Sudeste as taxas de sobrevida variam entre 70% e 75%, níveis semelhantes aos observados em países desenvolvidos, na Região Norte os índices permanecem em torno de 50%. Isso significa que o destino de uma criança com câncer, no Brasil, ainda depende fortemente do local onde vive e da estrutura disponível para atendimento. O alerta faz parte da nota técnica divulgada pela SBP durante o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantojuvenil, celebrado em 23 de novembro.
Incidência mundial: um panorama que exige atenção
Estima-se que cerca de 400 mil crianças e adolescentes (0 a 19 anos) recebam anualmente o diagnóstico de câncer em todo o mundo. Isso representa mais de 1.000 novos casos por dia — um número que reforça a importância da detecção precoce e do acesso igualitário ao tratamento.
Como o câncer infantojuvenil difere do câncer em adultos?
O câncer na infância não é apenas “um câncer em pessoas pequenas”. Ele tem características próprias:
Tipo de célula afetada: Em crianças, as neoplasias costumam atingir células do sistema sanguíneo e tecidos de sustentação. Por isso, as leucemias, os tumores do sistema nervoso central e os linfomas são os tipos mais frequentes.
Comportamento mais agressivo e rápido: Os tumores infantis geralmente têm crescimento acelerado, são mais invasivos e apresentam menor período de latência.
Boa resposta aos tratamentos: Apesar da agressividade, o câncer infantojuvenil costuma responder muito bem à quimioterapia.
Origem genética e menor influência ambiental: Diferente dos adultos, fatores ambientais cumulativos têm pouco peso. Muitos casos estão associados a síndromes genéticas ou alterações no desenvolvimento.
Por que o diagnóstico precoce é tão desafiador?
O câncer infantojuvenil costuma imitar doenças comuns da infância, o que muitas vezes retarda a investigação. Sintomas como febre, palidez, dor óssea, perda de peso, vômitos ou manchas roxas podem ser confundidos com quadros benignos.
Por isso, a SBP reforça a necessidade de:
Maior capacitação dos profissionais de saúde.
Educação das famílias para reconhecer sinais persistentes.
Encaminhamento rápido a centros especializados.
Vigilância em grupos com risco genético aumentado.
A detecção precoce continua sendo a principal estratégia para aumentar as chances de cura. Quanto mais rápido o diagnóstico, maiores as possibilidades de tratamento efetivo e de reduzir sequelas.





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